CENTRO CULTURAL USIMINAS
Concurso de Anteprojetos, 1995


A USIMINAS desempenha papel centralizador nas atividades produtivas e humanas no Vale do Aço, em Minas Gerais, e para que se proponha o Centro Cultural para toda a região é nescessário que se reconheça a estrutura fragmentada que compoe a região, separando e unindo dialèticamente suas cidades. Ipatinga semelhantemente se compõe de partes intercaladas entre elementos de descontinuidade como a grande área da usina ou grandes manchas verdes em relevo que separam seus bairros definindo setores específicos na cidade. O Centro Cultural em si terá importante papel na integração da população regional funcionando como catalizador do encontro e da comunicação com o resto do país. Nossa proposta reflete esta dissociação geográfica no Vale do Aço e Ipatinga agindo no sentido de se buscar ligações, de se integrar as partes, de revelar a própria razão de ser desta obra que é a de reconhecer e unir os elementos da comunidade.


Assim o programa proposto se divide a partir de seus núcleos funcionais compondo o Centro Cultural através de edifícios distintos organizados em torno de Praça Central. Estes blocos se ligam por uma galeria semi-circular que traz ao conjunto a informalidade de uma marquise de rua, ou de um grande "mall" urbano onde as atividades culturais se despem de pompa ou erudição e se integram à praça, ao ócio, ao simples passeio à pé. A malha urbana da vizinhança penetra o terreno propondo circulação veicular e estacionamento nas bordas integrando o Centro Cultural ao futuro parque e ao tecido da cidade. Esta permeabilidade se reforça através da "Via Beira Rio", uma rua costeira que leva o usuáro a contemplar o Rio Piracicaba. Esta via está paralela à circulação que une os edifícios reforçando o caráter circular do conjunto. Apenas o Centro de Produção está destacado dos demais blocos por merecer acesso próprio, se interligando à praça Central por passarela secundária. Construtivamente os edifícios seguem malha estrutural de 8x8 metros em pilares e vigas em "I" metálico. Pretende- -se caráter simples aos blocos evitando-se malabarismos construtivos. As coberturas serão executadas em formas mais livres explorando a geometria dos triângulos e arcos em chapa metálicas e "I" calandrado deixando colchão de ar entre as lajes de forro e os telhados como ventilação dos ambientes. O Teatro terá sua cobertura executada em treliças metalicas leves. Os estacionamentos serão protegidos do sol por caramanchão metálico com vegetação. A passarela circular se fará em pilares tubulares metálicos com altura de 8 metros locados no diâmetro externo da curva distanciados em 8 metros. A estes pilares estarão atirantadas as vigas do diâmetro interno da curva que através de "x" também metálico suportarão a leve cobertura translúcida da passarela com largura de 6 metros e altura de 4 metros. Os edifícios serão cada um tratado em cor específica nos fechamentos em alvenaria podendo receber revestimentos em chapa inox ou enferrujada em partes especiais. O Centro Cultural se integra à cidade por seu conjunto, que em si é uma micro cidade, evitando aparecer como "um grande edifício", se diluindo entre espaços não ocupados, podendo receber no futuro outros anexos que porventura componham o parque e estando aberto à extensão dos eixos existentes ou criação de novos eixos de composição. Pretende-se assim uma continuidade não traumática na estrutura e história de Ipatinga. Que o novo Centro Cultural não seja apenas uma grande realização contemporânea mas algo que pareça sempre ter estado ali como a nescessidade do crescimento cultural e espiritual do Homem.