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SOPROS CIDADÃOS

Os atuais festivais de teatro com seus circos e malabaristas de rua e diversos shows ao ar livre que têm ocorrido em BH mostram a vocação da população para a ocupação e o convívio nos espaços públicos e praças. É um novo tipo de ‘footing’ que se inaugura. Aí se celebra um dos primeiros gestos da cidadania que é o reconhecimento e o uso das áreas abertas da cidade. Faz-se necessário então uma correta política de projetos de novos espaços, remodelação e manutenção dos existentes. A praça da Liberdade é um bom exemplo de conservação, envolvimento e respeito da comunidade com uma área simbólica para a cidade. Mais que isso é importante que a população o poder público e os empresários se envolvam no processo de transformar os espaços públicos de terra de ninguém, como são a maioria deles hoje, no local de todos, palco do encontro e da vida.

 

BH EDITADA

Verdadeiras jóias editoriais sobre a identidade arquitetônica de BH vão surgindo talvez movidas pela presença do centenário. Logo no começo do ano o sucesso da Agenda Centenário veio mostrar o interesse em pautar atividades quotidianas ao lado de imagens e textos sobre a cidade.

Logo em seguida o mapa de BH desenhado pelo arquiteto Eduardo Isoni veio preencher uma lacuna. A cidade planejada não oferecia à população um belo mapa que revelasse o seu plano e as principais edificações, esta edição pode ser encontrada em diversas bancas de revistas da cidade.

Publicação também preciosa é o Atlas Histórico de Belo Horizonte, editado pela Fundação João Pinheiro, onde se reúne completa iconografia de todas as épocas de nossa história desde o projeto inicial até fotos atuais feitas por satélite.

Outra iniciativa importante é o livro do fotógrafo Sílvio Coutinho, Bello Horizonte 100 anos, onde de uma forma muito pessoal são apresentados os signos arquitetônicos mais marcantes nas diferentes décadas deste século.

Não poderia deixar de ser citada também a revista de arquitetura e design AP que em seu número 8 faz uma listagem de 29 obras destacadas da arquitetura de BH. Em tempo: a AP tem mostrado ao Brasil de forma competente a arquitetura feita em BH e em Minas.

Diversas outras edições estão prontas ou em andamento além de diversos ‘sites’ na Internet que falam sobre nossa cidade. Assim BH se faz conhecer e irradia sua identidade a outros locais do planeta.

 

SÍNDROME DA SUCATA

Quando foi inaugurado na década de 80 o Centro de Apoio Turístico da Praça da Liberdade, dos arquitetos Éolo Maia e Sylvio Podestá, conhecido como Rainha da Sucata gerou ódios e paixões diversas. Era uma divertida polêmica porque a arquitetura estava sendo discutida coisa o que geralmente não acontece. Sem querer avaliar aqui os méritos deste projeto é surpreendente como até hoje o excepcional é tão atacado e tripudiado pela opinião enquanto o medíocre passa ileso. Nossos Sions, Santo Antônios, Eldorados e Barreiros estão cheios de absurdos que ficam despercebidos a estes olhos tão críticos. São mercadoria barata que não podem ser chamadas de arquitetura ou engenharia. O Grande Hotel de Ouro Preto de Oscar Niemeyer também sofreu e sofre tais ataques. Não seria melhor deixar sossegadas estas obras que pelo menos são tentativas honestas de se propor o novo, e voltar as críticas para a feiura, para o indiferente, para o anti-urbano?

 

 

 

João Diniz, arquiteto

email: jodin@acesso.com.br