
R E S I D E N C I A L
M O N T E C A R L O
1993

A cidade de Belo Horizonte conta com áreas tradicionalmente residenciais, que se transformam à medida em que a permissividade da lei de uso do solo libera coeficientes de construção mais densos, pondo abaixo as residências e dando lugar a edifícios que em alguns casos mantem o caráter residencial dos locais ainda que desperdiçando a chance de compor bem a nova paisagem.
O bairro de Santo Antônio, com suas residências construídas a partir dos anos 30 passa por este tipo de transformação, apresentando aspecto atualmente disforme chegando a chocar, com razão, as mentes que habitaram ali em tempos mais bucólicos.
O residencial Montecarlo é o primeiro edifício de seu quarteirão, totalmente ocupado por casas de até três pisos. Sua localização no topo de uma colina, faz com que apareça como um símbolo desta nova ocupação, sinalizando, ainda que polêmicamente, a presença e a identidade possível aos novos edifícios, criadores dos futuros contextos.
Ocupando dois lotes deste quarteirão o edifício propõe a princípio uma relação com a escala das árvores e das casas da rua Paulo Afonso através de seu acesso definido por um embasamento em pé-direito triplo. Neste espaço se localizam as atividades de encontro dos moradores do prédio, como portaria, salão de festas, bar, sauna e piscina. Estes espaços apresentam a fluidez das curvas e das cores que se integram através de mezzaninos e vazios, como convém à alegria das comemorações.
Acima destes três primeiros níveis, aparecem os seis andares tipo com dois apartamentos com área de 114,00 m2 cada. No último piso os apartamentos se ligam às coberturas delineando o arremate do edifício através do arco superior. O prédio foi revestido em cerâmica rosa e vinho de aprovação não unânime entre os vizinhos. A agulha no topo da torre sinaliza e assume a tendência à verticalização do bairro se referindo ao tempo em que os edifícios tinham o cuidado de qualificar o horizonte construído, aparecendo como pontos de referência na paisagem.
Quanto aos demais revestimentos usou-se pedra São Tomé nos pisos das áreas comuns e táboa corrida nos apartamentos. Os cômodos frios têm paredes revestidas em laminados plásticos e pisos em granito. Nas vergas das varandas aparece uma releitura do tradicional lambrequins em x por onde se enrosca a vegetação protegendo o interior da insolação oeste.
O edifício Montecarlo ganhou apelidos inóspitos como Pantera Cor de Rosa ou Capitão Gay o que muito nos divertiu como autores do projeto. Acreditamos que a identificação dos habitantes com os espaços e objetos urbanos constitui um dos exercícios básicos da cidadania, somos uma civilização extremamente jovem para nos reduzirmos às memórias recentes temendo o desafio do futuro, da tranformação e requalificação da cidade, palco de várias épocas e idades.
arquitetura: João Diniz Arquitetura ltda
arquitetos: João Diniz, Verônica Matta Machado
estagiários: Louise Bruno, Fernando Magalhães, Danielle Sarmento.
endereço: rua Paulo Afonso 587, Belo Horizonte
área do lote: 772,00 m2; área construída: 2603,00 m2
construtora: Ponta Engenharia ltda
cálculo estrutural: Misa Engenharia de Estrtutras ltda
projeto instalações: Sepel ltda, projeto incendio: Jac Instalações ltda
fotos: Marcílio Gazinelli e João Diniz