
R E S I D E N C I A L
F I R E N Z E
1993
A fusão das montanhas em torno da Serra do Curral com uma rígida retícula urbana ortogonal e diagonal fazem de Belo Horizonte um curioso exemplo de paisagem urbana, onde as perspectivas clássicas da cidade barroca se confundem com a sensualidade do relevo com suas visadas em diferentes alturas gerando uma infinidade de pontos de fuga e criando uma dinâmica na leitura da cidade, o que supera às vezes o valor individual alguns de seus edifícios.
O crescimento da cidade a leva além do "plano piloto" inicial delimitado pela avenida do Contorno, idealizado por Aarão Reis em 1897, e a ocupação dos espaços acontece de formas diversas gerando surpresas, agradáveis ou não, como é característica das regiões motanhosas.Ao pé da Serra do Curral, região dos bairros Mangabeiras, Comiteco e Serra a trama urbana revela um desenho irregular, acompanhando a topografia acidentada, e de crescente densidade à medida em que a área se valoriza dando lugar a edifícios residenciais em vez das residencias construídas num primeiro momento nos anos 70. O residencial Firenze se localiza num terreno "sobra" de tôda esta ocupação. Um leque, ainda desocupado, em ângulo de 60 graus, 40,00 m de frente e 15,00 m de desnível longitudinal, numa rua curva em declive, local que desencorajava construtores anteriores.
Como se fosse possível articular tôda a confusão paisagística da área, com seus novos edifícios e antigas casas, o residencial Firenze é lançado acompanhando o arco da rua Adolfo Pereira com três grandes maciços cegos e verticais entremeados por uma treliça de concreto aparente pré-moldado, em toda a altura do prédio, protegendo as varandas e salas de estar da insolação norte e desvendando pedaços de um belo(?) horizonte em transformação.
Portaria, garagem, pilotis, cinco pavimentos tipo com dois apartamentos de três dormitórios com 111,00 m2 cada e cobertura ligada ao último andar; compõem sucessivamente o edifício num total de nove pavimentos. O edifício foi revestido em cerâmica visando economia e durabilidade. Os pisos dos apartamentos são em táboa corrida, os cômodos frios têm pisos em granito e paredes em laminados plásticos, as áreas comuns têm piso em pedra São Tomé. Alguns proprietários modificaram seus apartamentos durante a obra, segundo seus gostos e necessidades. O pilotis aparece como praça interna do prédio, integrando a área externa com piscina ao salão de festas e praça coberta, tirando partido do formato trapezoidal do lote.
O desafio da habitação coletiva revela a cultura dos povos. Em nossas cidades os edifícios de apartamentos, geralmente associados à especulação imobiliária, se limitam a ser meras mercadorias residenciais. Dentro das possibilidades econômicas de nossa época e do intercâmbio entre arquiteto e construtora, o Residencial Firenze faz parte de um processo contínuo de se pensar e repensar a moradia (n)a cidade.
arquitetura: João Diniz Arquitetura ltda
projeto arquitetônico: arq.João Diniz
arquitetas colaboradoras: Verônica Matta Machado, Graça Moura
estagiários: François Rodrigues, Danielle Sarmento
localização: rua Adolfo Pereira 330, Belo Horizonte
área do lote: 740,00 m2; área construída: 2236,00 m2
construtora: Ponta Engenharia ltda
cálculo estrutural: Misa Engenharia de Estrututras ltda
projeto instalações: Senog ltda; projeto incêndio: Jac Instalações ltda
fotos: Marcílio Gazinelli e João Diniz