REVITALIZAÇÃO EM IMÓVEL COMERCIAL

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O bairro Savassi está próximo da Praça da Liberdade, núcleo administrativo e simbólico de Belo Horizonte na época da fundação da cidade em 1897, e aparece como opção residencial natural para os funcionários do governo e da sociedade emergente na então jovem capital do estado de Minas Gerais.

Posteriormente por volta do final dos anos 60 este bairro já consolidado passa a se transformar dando lugar a um segundo centro comercial da cidade, oferecendo opções de um comercio mais fino que se contrapunha ao centro tradicional já altamente adensado e movimentado.

O edifício localizado na esquina das ruas Inconfidentes e Alagoas data dos anos 30 e foi concebido como um dos primeiros exemplos de habitação coletiva na cidade contendo quatro apartamentos em dois níveis. De acordo com o ecletismo construtivo da época o prédio foi concebido em estilo Normando moda na ocasião e presente em diversas outras construções no bairro.

Com a transformação da área as unidades do prédio passam a ser alugadas para fins comerciais, o que se deu de forma inadaptada, desorganizada e mesmo predadora para o imóvel. Em 1997, ano do centenário de Belo Horizonte, o prédio estava em péssimas condições, apesar de sua excelente localização.

Coube a Maria Elizabeth Fernandes Teixeira, atual proprietária, juntamente com o arquiteto João Diniz, vislumbrar a revitalização do imóvel. Embora o edifício não estivesse tombado pelos Patrimônio Histórico a idéia seria valorizar e respeitar sua imagem eclética mas também marcar a chegada de novos tempos e usos através de uma intervenção que harmonizasse história e contemporaneidade.

Assim o volume básico do edifício: paredes externas e telhado originais característicos de seu estilo, foram cuidadosamente restaurados pelo engenheiro Frederico Grimaldi de Castro.

A fim de assumir e potencializar o novo uso comercial definem-se três espaços comerciais, destinados ao setor gastronômico, ao nível da rua (respectivamente loja 1 c/ 81m2, loja 2 c/ 41m2, loja 3 c/ 54m2, ainda no térreo um hall de acesso pela rua dos Inconfidentes, dotado de um bar. Este hall leva ao segundo andar onde se tem amplo salão destinado a instalação de um restaurante (c/ área de 130 m2 para até 40 mesas) com espaços de apoio para instalações sanitárias, cozinha, despensa e vestiário. Neste salão se tem um rico espaço definido pelas paredes em tijolos aparentes originais e a bela estrutura do telhado que foi deixada toda visível.

Compondo a nova imagem do prédio propõem-se uma nova cor em tom terroso e uma marquise em estrutura metálica, contínua ao longo das fachadas nas duas ruas que aparece como galeria de convite aos espaços internos e possibilita um terraço com cobertura transparente no nível superior.

Esta marquise aparece como a marca do tempo atual propondo respeitosamente um diálogo entre dois tempos: o passado e o presente.

Acreditando na transformação carinhosa e coerente de alguns ambientes da cidade esta obra aparece como uma possibilidade de se retomar uma memória esquecida e ao mesmo tempo mirar o futuro, talvez num alegre jantar cheio de sabores e de sonhos...

Proprietária: Maria Elisabeth Fernandes Teixeira
Arquiteto: João Diniz, CREA 26731/d
Engenheiro: Frederico Gimaldi de Castro